Aos jovens apressados da geração Y

Conheci Victoria Bloch quando trabalhei na CAIXA. Fazem mais de quinze anos e ela já era uma pessoa de muita sabedoria. Em alguns projetos que trabalhamos juntos aprendi muito. Agora encontrei esse excelente texto sobre a velocidade das coisas em nosso tempo, que compartilho com vocês.

AMADURECER É SABOREAR COM MENOS PRESSA:

Os jovens de hoje em dia têm muita pressa. Principalmente os da chamada geração Y. Por um lado isso é bom, pois isso representa o oposto do comodismo, mal que afetou muitas gerações passadas. Eles são mais questionadores, querem inovar o tempo todo, nadam de braçada nas novas tecnologias, têm alcançado altos postos nas organizações e patrimônio cada vez mais cedo.

Mas essa afobação toda traz também uma carga negativa: eles não estão se dando tempo e nem mesmo espaço para um amadurecimento consistente.

As pessoas continuam precisando de um conjunto de experiências refletidas para poder amadurecer. Com a pressa que o mundo impõe hoje, muitos pensam que migrar de uma experiência profissional para outra é suficiente. Na minha visão, porém, esse movimento pode não ser um crescimento consistente. Cada transição precisa ser refletida antes que o novo ciclo se inicie e o atual se transforme em efetivo aprendizado. A maturidade ainda está muito ligada ao conceito de envelhecer. Por isso, talvez, o termo apresente alguma resistência.

Certa vez, li um artigo em que o autor dizia que amadurecer não significa perder o encanto, ficar velho. É apenas saborear com menos pressa. Não é perder a vibração, deixar de se encantar com o novo, mas tratar disso com mais responsabilidade. Gosto muito dessa percepção. Antes de expor toda a sua bagagem para o mundo, ela precisa ser interiorizada e isso demanda tempo, dedicação, atenção. Mas, com essa corrida desenfreada, quem encontra tempo? Com tantas cobranças, quem se permite parar?

Nós – e aí incluo os pais, a sociedade e a escola – estamos acelerando ainda mais esse ritmo dos jovens, cobrando como se eles não tivessem o direito de errar, como se eles tivessem obrigação de estar totalmente encaminhados na vida profissional aos 20 anos e sem o direito de fazer alguma mudança aos 28. Se uma criança não tem sua agenda repleta de atividades, sentimos culpa por talvez estarmos “atrasando” nossos filhos ou tornando-os obsoletos para a entrada na sociedade produtiva! O que é isso? Preencher agenda, na verdade, resolve também a falta de tempo para estar com eles.

A cobrança é tamanha que jovens com menos de 30 anos se desesperam se descobrem que não estão contentes com suas escolhas do passado recente e que desejariam mudar de rumo. Nessa sociedade imediatista, eles aprendem que um recomeço a essa altura da vida – que altura? 28 anos? – significa que eles estão fadados a ficar para trás na competição do mundo corporativo. Agora, eu pergunto: quem disse isso? Quem falou que a pessoa não pode mudar sua carreira aos 30, aos 40, aos 50 e ser bem-sucedido? Ou melhor, ser mais feliz, ou feliz novamente com um novo amor?

Percebo, nesse corre-corre, que o movimento está se refletindo também no ensino. Basta ver o perfil dos alunos nos cursos de MBA. Originalmente, a proposta desses cursos era que o profissional voltasse para a escola depois de alguma experiência vivida para e reciclar, aprimorar conhecimentos e, acima de tudo, aprender com a troca entre os colegas de turma.

Hoje, você entra em uma sala de MBA e grande parte é formada por jovens que mal saíram da faculdade e se sentem cobrados por fazer uma pós-graduação imediatamente. Pipocam de um curso a outro para engordar o currículo e nem ao menos avaliam o quanto aquele conhecimento realmente está sendo absorvido ou se os objetivos estão de fato sendo atingidos.

Amadurecer é ter a capacidade de organizar a própria vida. Se você é jovem, não tenha tanta pressa. Nada vai sair do lugar. Crianças continuam nascendo em nove meses (agora se contam em semanas, parece que para acelerar o tempo, não?).

Quanto mais reflexões embasarem as suas decisões, menores serão as suas chances de errar. A maturidade consistente só virá se você souber sugar suas experiências e conseguir, de fato, aprender com elas. Pare, respire. Pense sobre o que aprendeu até aqui, o que te faz bem, o que te realiza. É essencial também identificar aquilo que você não quer fazer. Dê um passo de cada vez. Garanto que você sairá ganhando.

Vicky Bloch é professora da FGV, do MBA de recursos humanos da FIA e fundadora da Vicky Blioch Associados

Fonte: Valor Econômico.

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Evaldo Bazeggio

Diretor Fundador e Diretor Técnico da Bazeggio Consultoria. Executivo com mais de trinta anos de experiência em gestão de equipes e organizações públicas e privadas. Certificado internacionalmente Master Coach ISOR® em Coaching, Mentoring e Holomentoring®. Consultor de estratégia, desenvolvimento organizacional e de pessoas, em organizações.

Este post tem um comentário

  1. Prof. Bazeggio,

    Considero muito interessante e impressionante o assunto tratado nesse post. Realmente a exigência de um preparo profissional acelerado nos moldes convencionais e a competição acirrada hoje imperando no mercado estão cada vez mais sendo consideradas para os conceitos de realização pessoal, profissional, sucesso e o tão almejado estágio de felicidade plena. Porém, concordo com a Professora Victoria quando pontua acerca da responsabilidade das decisões tomadas e das inúmeras possibilidades de mudanças de rumos a qualquer tempo. As vezes, observo que simplesmente passamos pelas nossas vidas como meros coadjuvantes/espectadores sem nunca se sentir feliz ou satisfeito… na verdade, estamos presos a más escolhas sem coragem para mudanças, pois isso seria admitir para toda a sociedade o fracasso e o verdadeiro atraso profissional. Refletindo sobre o assunto, gostaria de pontuar também que não se pode radicalizar e ficar a margem dos estudos e vida profissional por não ter escolhido ainda o melhor caminho a percorrer. A experimentação é fundamental e será o meio correto de descobrir o que determinado indivíduo gosta ou tem as habilidades e virtudes para fazer e o que não se gosta ou não tem aptidão para fazer.

    Abraço,
    André Augusto Baracat Gomes

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